
segunda-feira, 2 de março de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
O Sol
Nessa época o sol é mais frio
Porque ele se divide em mil
Mas para lá de janeiro
Ele volta a ficar inteiro
Agora o sol parece uma laranja madura
Porque ele está sem pintura
Mas quando entra março
Parece a cara de um palhaço
Tem dias que o sol vai embora
Tem noites que não tem aurora
Às vezes ele fica no Japão
E só volta quando chega o verão
Agora que o sol está bravo
Parece uma moeda de um centavo
Mas quando se alegra, o sol
Fica maior que uma bola de futebol
O sol está brilhando muito claro
Porque hoje é seu aniversário
Nesses dias ele quase cega
E quem é cego quase enxerga
O sol está sempre ali no céu
A terra é que faz o carrossel
De noite o sol apaga sua chama
E dorme debaixo da minha cama
Porque ele se divide em mil
Mas para lá de janeiro
Ele volta a ficar inteiro
Agora o sol parece uma laranja madura
Porque ele está sem pintura
Mas quando entra março
Parece a cara de um palhaço
Tem dias que o sol vai embora
Tem noites que não tem aurora
Às vezes ele fica no Japão
E só volta quando chega o verão
Agora que o sol está bravo
Parece uma moeda de um centavo
Mas quando se alegra, o sol
Fica maior que uma bola de futebol
O sol está brilhando muito claro
Porque hoje é seu aniversário
Nesses dias ele quase cega
E quem é cego quase enxerga
O sol está sempre ali no céu
A terra é que faz o carrossel
De noite o sol apaga sua chama
E dorme debaixo da minha cama
Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Só as Tiras
O tempo foi algo que invertaram para que as coisas não acontecessem todas de uma vez
Laiza Alves
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Desejar Ser
Prefiro as linhas tortas, como Deus.
Em menino eu sonhava de ter uma perna mais curta (Só pra poder andar torto).
Eu via o velho farmacêutico de tarde, a subir a ladeira do beco, torto e deserto… toc ploc toc ploc. Ele era um destaque.
Se eu tivesse uma perna mais curta, todo mundo ha- veria de olhar para mim: lá vai o menino torto subindo a ladeira do beco toc ploc toc ploc.
Eu seria um destaque.
A própria sagração do Eu.
Em menino eu sonhava de ter uma perna mais curta (Só pra poder andar torto).
Eu via o velho farmacêutico de tarde, a subir a ladeira do beco, torto e deserto… toc ploc toc ploc. Ele era um destaque.
Se eu tivesse uma perna mais curta, todo mundo ha- veria de olhar para mim: lá vai o menino torto subindo a ladeira do beco toc ploc toc ploc.
Eu seria um destaque.
A própria sagração do Eu.
Manoel de Barros
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Tenho inveja da platéia de minhas cenas.
Como se apenas observasse vida de dentro de mim, assisto a tentativa falha de ser quem eu gostaria.
Estou preso a mim pelo lado de dentro e nunca conseguirei assistir o espetáculo e minha vida de camarote.
Antes tenho eu que estar no local da cena, nunca estive na platéia e invejo meus amigos quando estes vêm me contar o que me viram fazer. Eu que de dentro, todo tenso, executava a ação não tive o mesmo gozo que o outro a me ver viver. Queria estar na platéia um só dia. Assistir o espetáculo trágico da minha vida.
Assistir o idiota ao tentar ser digno.
Ver a mim mesmo como o desastrado, desengonçado e canastrão.
E mais uma vês escuto comentários eufêmicos, que já desvelo de cara, sobre o quanto me excedi ou fui sacana aquela noite, eu bêbado, minhas três paixões juntas, meu melhor e meu pior professor na mesma mesa, o meu melhor amigo e o cara que me sacaneou, todos lá aos trios, aos pares em classificações várias todos agrupados e eu sem saber como agir...
Um espetáculo grotesco é o que parece minha nobre tentativa.
Tentar é executar também e mesmo no erro ação.
Ato falho.
Fiz de novo!
Minto, tento esconder novamente, inutilmente! Me conhece bem demais para sempre rir, discreto, de mais um erro.
Um catálogo de caricaturas grotescas. Eu devo ser um cara divertido de se ver assim aos tropeções, escorregões, quedas e fracassos.
Estou preso a mim pelo lado de dentro e nunca conseguirei assistir o espetáculo e minha vida de camarote.
Antes tenho eu que estar no local da cena, nunca estive na platéia e invejo meus amigos quando estes vêm me contar o que me viram fazer. Eu que de dentro, todo tenso, executava a ação não tive o mesmo gozo que o outro a me ver viver. Queria estar na platéia um só dia. Assistir o espetáculo trágico da minha vida.
Assistir o idiota ao tentar ser digno.
Ver a mim mesmo como o desastrado, desengonçado e canastrão.
E mais uma vês escuto comentários eufêmicos, que já desvelo de cara, sobre o quanto me excedi ou fui sacana aquela noite, eu bêbado, minhas três paixões juntas, meu melhor e meu pior professor na mesma mesa, o meu melhor amigo e o cara que me sacaneou, todos lá aos trios, aos pares em classificações várias todos agrupados e eu sem saber como agir...
Um espetáculo grotesco é o que parece minha nobre tentativa.
Tentar é executar também e mesmo no erro ação.
Ato falho.
Fiz de novo!
Minto, tento esconder novamente, inutilmente! Me conhece bem demais para sempre rir, discreto, de mais um erro.
Um catálogo de caricaturas grotescas. Eu devo ser um cara divertido de se ver assim aos tropeções, escorregões, quedas e fracassos.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
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